(Carlos Eduardo)
A série de palestras promovida pela Cátedra da PUC no âmbito do curso “A Produção do Livro” atingiu seu ápice – até o presente momento – com a presença de três representantes do mercado editorial no último dia 06 de maio.
Com bom humor e uma certa intimidade, o jornalista e autor Domingos Meirelles, a revisora Fátima Barbosa e a designer e artista plástica Sandra Pinta expuseram certos meandros do mercado; principalmente no que tange à criação do livro como produto.
“Cuidado” parece ser a palavra de ordem na exposição de Meirelles em relação ao processo de criação de um livro; do “descobrimento” do tema às demais manipulações da obra, passando por obstáculos ou boas surpresas, tais como a cadência de cada capítulo, a via crucis da pesquisa, e os desdobramentos da escolha da capa. Mesmo com boas tiragens de seus dois livros – “A Noite das Grandes Fogueiras” e “1930” –, o próprio autor argumenta que aqueles palestrantes são “profissionais que fogem da média”.
Em tom apaixonado, Fátima Barbosa concorda com o aspecto traiçoeiro do mercado editorial, e enfatiza que a árdua “carpintaria” do texto trabalhada na função do revisor não raro é mal entendida tanto pelo público quanto por profissionais do meio.
Sandra Pinta, por sua vez, destaca o exercício de adequação, sedução e emoção, além da busca de um conceito (“50% do trabalho”, segundo ela) para a capa. Nem sempre a parte técnica corresponde ao gosto pessoal.
A julgar pelo agradável debate entre as partes, o mercado editorial ainda tem lá suas armadilhas.
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
segunda-feira, 10 de maio de 2010
A experiência conta
por: Mônica Ferreira
O jornalista e escritor Domingos Meirelles contou um pouco de sua experiência como autor dos livros, As Noites das Grandes Fogueiras. Uma História da Coluna Prestes (Prêmio Jabuti/Melhor Reportagem de 1996) e “1930 - Os Órfãos da Revolução”. Ganhou o Jabuti de 2006, na categoria Ciências Humanas. Meirelles relatou ainda durante o seu discurso como foi a criação do livro, os personagens, capa, conteúdo e até mesmo sobre a recepção dos leitores. Um fato que desperta a atenção de Meirelles e ao mesmo tempo surpreende são os leitores surgindo de onde ele menos espera. Simpático e bem-humorado falou com propriedade de alguns de seus trabalhos ao longo de quase 45 anos de trajetória no jornalismo.
Logo após o discurso de Meirelles, foi a vez de Fátima, do copydesk, da editora Record falar um pouco das suas atividades. Pelo que entendi cabe a este profissional rever os textos com o objetivo de observar a sintaxe, ortografia e pontuação, adequando a linguagem aos padrões gramaticais. O desempenho deste profissional é bastante minucioso onde requer muita atenção, onde, diga-se de passagem, se faltar um (s) os leitores ligam para as editoras reclamando do erro ortográfico. De fato, é um trabalho primoroso.
Depois foi a vez de Sandra Pinta, designer gráfico mostrar alguns de seus trabalhos e explicar um pouco de suas criações. Entre tantos projetos gráficos mostrados em sala me surpreendo como ela consegue passar o conceito em seus trabalhos e conquistar autores, editores e o querido, leitor. Aprendi muito com ela.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Três profissionais do livro e dois dedos de prosa
Pedro Fortunato* escreveu dois livros por uma grande editora brasileira. Liana Abrantes* gerencia, pelo que pude entender, o setor de copidesque e revisão dessa editora. Helena Müller*, por sua vez, faz projetos gráficos para diversas editoras.
Fortunato é herdeiro de um certo jornalismo literário da saudosa revista Realidade (que por sua vez agregava profissionais querendo experimentar abaixo da linha do Equador o que Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote já haviam consagrado como Novo Jornalismo nos EUA na década de 1950 e início da década de 1960). Profissional experiente, passou pela mídia impressa e televisiva, imprimindo autoria bem particular na construção de sua trajetória. Como autor, mostrou-se diferenciado pela preocupação com o processo de produção do livro, algo não muito comum entre os escritores. Cuidados como o ponto de vista da narrativa, as escolhas para construir verossimilhança, e, mais que isso, seduzir o leitor, são constantes no que se pôde verificar em sua fala. Não tive dúvida de que estava diante de um verdadeiro profissional do livro. Nenhuma ingenuidade. Que mal há, afinal, em aliar competência, estilo e, por que não, uma maneira de seduzir desde as primeiras linhas o leitor? Se se escreve um livro, ele deve ser lido! Vendido, pois!
Palmas para o Fortunato, aprendamos com ele.
Abrantes me assusta. São mais de 30 anos trabalhando com revisão de livros, seja metendo a mão na massa seja cuidando para que outros, sob sua supervisão, o façam. Sua fala parece ser desajustada com seu pensamento, pouco se compreende daquilo que parece formular. Sua fala claudica porque seu pensamento parece claudicar. Será alguma espécie de afasia, será nervosismo por falar em público? As duas coisas? Nenhuma das duas? O que seria aquilo afinal? Um breve encontro foi muito pouco para saber ao certo o quereria dizer aquela profissional que, certamente, tem competência. Ninguém ficaria tanto tempo no mercado, se incompetente fosse. Mas, o certo, é que, pelo que ela conseguiu mostrar no desempenho da sua fala, a decepção foi minha. Fiquei pensando naquilo que tanto ela, saudosa, se ressentia nos leitores contemporâneos: “Os leitores eram contemplativos!” Será que de tão contemplativa, Abrantes tem dificuldade de intervir no biopsicossocial do mundo? Se for esse o caso, não será o caso de se ter o cuidado de não a convidar para encontros como esse? O tetê-à-tête talvez seja o segredo. Serei obrigado, provisoriamente, a me contentar com o mistério.
Müller é uma profissional experiente. Conhece o seu métier. Sabe de suas limitações, e tira partido disso. Estabelece caminhos variados para desenvolver seus projetos gráficos. Parece transitar habilidosamente pelos cômodos nem sempre confortáveis em que habitam os partícipes da produção editorial. Gostaria de, sem nenhuma dúvida, conhecer mais profissionais desse calibre.
* As personagens do texto aparecem sob pseudônimo, por conta de juízos de valor apontados, aqui e ali, desfavoráveis. São-me caras, em vez disso, as reflexões que podem ser feitas sobre as falas por elas produzidas.
Fortunato é herdeiro de um certo jornalismo literário da saudosa revista Realidade (que por sua vez agregava profissionais querendo experimentar abaixo da linha do Equador o que Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote já haviam consagrado como Novo Jornalismo nos EUA na década de 1950 e início da década de 1960). Profissional experiente, passou pela mídia impressa e televisiva, imprimindo autoria bem particular na construção de sua trajetória. Como autor, mostrou-se diferenciado pela preocupação com o processo de produção do livro, algo não muito comum entre os escritores. Cuidados como o ponto de vista da narrativa, as escolhas para construir verossimilhança, e, mais que isso, seduzir o leitor, são constantes no que se pôde verificar em sua fala. Não tive dúvida de que estava diante de um verdadeiro profissional do livro. Nenhuma ingenuidade. Que mal há, afinal, em aliar competência, estilo e, por que não, uma maneira de seduzir desde as primeiras linhas o leitor? Se se escreve um livro, ele deve ser lido! Vendido, pois!
Palmas para o Fortunato, aprendamos com ele.
Abrantes me assusta. São mais de 30 anos trabalhando com revisão de livros, seja metendo a mão na massa seja cuidando para que outros, sob sua supervisão, o façam. Sua fala parece ser desajustada com seu pensamento, pouco se compreende daquilo que parece formular. Sua fala claudica porque seu pensamento parece claudicar. Será alguma espécie de afasia, será nervosismo por falar em público? As duas coisas? Nenhuma das duas? O que seria aquilo afinal? Um breve encontro foi muito pouco para saber ao certo o quereria dizer aquela profissional que, certamente, tem competência. Ninguém ficaria tanto tempo no mercado, se incompetente fosse. Mas, o certo, é que, pelo que ela conseguiu mostrar no desempenho da sua fala, a decepção foi minha. Fiquei pensando naquilo que tanto ela, saudosa, se ressentia nos leitores contemporâneos: “Os leitores eram contemplativos!” Será que de tão contemplativa, Abrantes tem dificuldade de intervir no biopsicossocial do mundo? Se for esse o caso, não será o caso de se ter o cuidado de não a convidar para encontros como esse? O tetê-à-tête talvez seja o segredo. Serei obrigado, provisoriamente, a me contentar com o mistério.
Müller é uma profissional experiente. Conhece o seu métier. Sabe de suas limitações, e tira partido disso. Estabelece caminhos variados para desenvolver seus projetos gráficos. Parece transitar habilidosamente pelos cômodos nem sempre confortáveis em que habitam os partícipes da produção editorial. Gostaria de, sem nenhuma dúvida, conhecer mais profissionais desse calibre.
* As personagens do texto aparecem sob pseudônimo, por conta de juízos de valor apontados, aqui e ali, desfavoráveis. São-me caras, em vez disso, as reflexões que podem ser feitas sobre as falas por elas produzidas.
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O encontro com Teodoro Koracakis foi-me muito produtivo. Saber, por exemplo, das ingerências editoriais na obra de Sérgio Sant'Anna foi algo enriquecedor. Ajudou a desmitificar uma certa visão idealizada a respeito de autores que produzem literatura canônica. Observar o produto livro a partir da ótica do editor é uma experiência singular. Suas escolhas, as consequências de seu planejamento (ou falta de) na composição mercadológica da editora auxiliam a construir o mosaico, parece sempre incompleto, da cadeia produtiva do livro.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Um breve negócio de ideias sobre o negócio do livro
Por Duda Costa
Muitos dos que, ao contrário desta que ora escreve, estiveram presentes na palestra do economista Fábio Sá Earp realizada na Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio no dia 13 de abril de 2010 destacaram, como aspecto geral da sua interessante abordagem, um tom, digamos, pessimista em relação ao negócio do livro no Brasil.
Em trabalho publicado em 2005, Fábio Sá Earp e George Kornis (2005) são categóricos ao afirmar que o “problema básico da economia do livro é [...] um descompasso entre a imensa oferta global e a limitadíssima capacidade de absorção do consumidor individual”. E parece ser esta a chave a abrir e fundamentar a sua pesquisa: a identificação do(s) problema(s) do negócio do livro em nosso país.
Para explicar este impasse inicial de que a oferta e a demanda do livro estão longe de ser equilibradas, os autores apresentam duas razões. A primeira: “o livro é um bem muito barato de se produzir”. A segunda: “não há nada mais caro do que produzir um leitor”.
Os dados e informações de base para esta e as demais conclusões e análises do trabalho dos autores são retirados da pesquisa sobre a produção e as vendas do setor editorial brasileiro, fornecida, desde 1992, pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Todavia, também aqui não há chance de rendição ao otimismo: “Esses dados devem ser vistos com cuidados, pois um dos mais bem informados de nossos entrevistados afirmou que as editoras em má situação costumam ‘dourar a pílula’ e escondem seus problemas”.
Igualmente convidado pela Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio, o gerente executivo do SNEL, Antonio Laskos, realizou também uma palestra sobre o assunto. Com os mesmos dados fornecidos pela pesquisa do SNEL, Laskos mostrou-se bastante confiante e otimista ao afirmar que, se comparado com outros países, o custo do livro no Brasil não é de forma alguma caro. Concordou, no entanto, que falta poder aquisitivo e, sobretudo, uma “cultura leitora”, no sentido não só de estimular o público leitor já existente, como também, e mais importante ainda, de criar novos leitores. Sá Earp e Kornis, por sua vez, comparam o índice de capacidade de compra de livros no Brasil com o de outros países, já considerando, em seu cálculo, o preço relativo do livro, isto é, a renda per capita dividida pelo preço médio absoluto do livro. E concluem: “Os livros brasileiros são bastante caros, ficando em companhia dos alemães e belgas, mas ainda bastante mais baratos do que os chineses e mexicanos, os mais caros do mundo em termos relativos”. No final das contas, a conclusão não deixa de ser a mesma de Laskos: o livro (barato, em termos absolutos, mas caro em termos relativos) está fora do alcance da população de baixa renda, que, no caso do Brasil, compõe importante fatia da estrutura econômica nacional.
Com grande razão, Sá Earp e Kornis são também categóricos ao afirmar que o negócio do livro não é compatível com o tamanho da economia brasileira. Antonio Laskos parece concordar, ao comparar os números de faturamento e venda do livro com o do mercado floricultor no país, por exemplo, a fim de demonstrar o quanto a prática do negócio do livro ainda está aquém do seu potencial.
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” (http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/dados/anexos/48.pdf), realizada pelo Instituto Pró-Livro e apresentada por Antonio Laskos, conclui que o consumo de livros cresce conforme renda e escolaridade. Há, portanto, ainda, grande margem para o crescimento do público consumidor do livro. Um exemplo disso são os números do “varejo oculto: a venda porta-a-porta”, segundo Sá Earp e Kornis, aspecto que Antonio Laskos também destaca: “Esse segmento da cadeia do livro, também chamado de venda direta, é quase inteiramente desconhecido, mas se constitui no mais importante gerador de empregos. Enquanto todo o setor editorial emprega pouco mais de 20 mil pessoas, os vendedores porta-a-porta são no mínimo 30 mil, podendo chegar a 50 mil”. “O público-alvo são os consumidores de baixa renda, as famosas ‘classes D e E’, que fazem praticamente todas as suas comprar a crédito [...]. Os livros são baratos porque seus custos editoriais e gráficos são muito baixos (pois o consumidor não é exigente) e porque as tiragens são altas – nunca menores do que cinco mil exemplares”.
Em um momento em que muito se discute sobre a inserção do país na era dos livros digitais, as falas de Antonio Laskos e de Fábio Sá Earp e George Kornis apontam, antes de tudo, para um extenso caminho a ser percorrido em busca de uma política de incentivo e de formação de leitores, a fim de que a enorme economia de mercado brasileira possa se ver refletida na ampliação e no desenvolvimento da economia do livro, com número crescente de consumidores e, por que não?, de apaixonados por livros.
Referências Bibliográficas:
SÁ EARP, Fábio; KORNIS, George. A economia da cadeia produtiva do livro. Rio de Janeiro: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, 2005a. Disponível em: . Acesso em: 24 abr. 2010.
______. A economia do livro: a crise atual e uma proposta de política. Série Textos para Discussão. Rio de Janeiro: UFRJ, Instituto de Economia, 2005b. Disponível em: . Acesso em: 24 abr. 2010.
Obs.: As citações a Antonio Laskos foram feitas com base no conteúdo apresentado por ele em palestra realizada na Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio, no dia 15 de abril de 2010, para os alunos do curso de pós-graduação “A Produção do Livro: Do Autor ao Leitor”.
Curso: A PRODUÇÃO DO LIVRO: do autor ao leitor
Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio
Aluna: Maria Eduarda de Oliveira Costa, turma 2009.2
Módulo: O negócio do Livro – profa. Elisângela Alves
domingo, 25 de abril de 2010
O Livro e o leitor
* Por Augusto Barros
Em seu discurso, Fábio Sá Earp e George Kornis tratam da defasagem entre a enorme produção de livros e a limitada capacidade e oferta de leitores. Segundos os autores, esse déficit torna-se o maior desafio dos produtores de livros, pois é necessário que este saiba não apenas como colocar seus livros no mercado, mas sim fazer com que eles cheguem ao seu público específico.
Inicialmente os professores começam com uma provocação, citando o escritor mexicano Gabriel Zaid que diz: “o quê é um bom livro quando ninguém sabe onde está ou o solicita”?
Em seu discurso, Fábio Sá Earp trata da defasagem entre a enorme produção de livros e a limitada capacidade e oferta de leitores. Esse déficit torna-se o maior desafio dos produtores de livros, pois é necessário que este saiba não apenas como colocar seus livros no mercado, mas sim fazer com que eles cheguem ao seu público específico (como no caso do livro ‘Medicina Alternativa de A a Z’). Fica no ar a pergunta: o quê é um bom livro quando ninguém sabe onde está ou o solicita? A produção de livros cresce e a enorme quantidade de títulos e exemplares produzidos todos os anos se divide entre livros que dão prejuízo, ou se bancam sem gerar lucro e uma minoria lucrativa, os Best-sellers. Entretanto, condenar livros que não se pagam apenas pela ótica do mercado é desperdiçar o valor intrínseco deles.
Segundo Earp, a razão da enorme produção editorial está em alguns fatores pontuados: o fato do livro se um bem barato de ser produzido; a sua viabilidade em pequena escala produtiva ou mesmo em grande escala; e a facilidade de criar uma editora – não há nenhuma barreira a quem deseje abrir uma editora.
Entretanto, a enorme oferta se contrapõe à quantidade limitada de livros que um leitor comum pode ter. A partir desse paradoxo, os autores apresentam aquilo que ele chama de “o problema básico da economia do livro”: o descompasso entre a oferta global e a limitada capacidade de absorção do consumidor individual.
Formar um leitor é algo muito caro, não apenas do ponto de vista financeiro, mas também pelo tempo que leva formar um leitor. É preciso levar em conta também a concorrência que o livro tem com outras formas de entretenimento. Nesse ponto, Fábio Sá Earp sintetiza muito bem seu ponto de vista quando dizem que “o principal obstáculo para a circulação do livro não é o preço, mas os diferentes interesses do autor e do leitor, as características do texto e as dificuldades da leitura e da escrita [...]”.
Soma-se à dificuldade de formar o leitor, o fato de que ele apenas se interessará por poucos assuntos. A partir desse ponto, um grupo de leitores com um gosto em comum forma um nicho, centro de demanda de livros, que procurará livrarias e bibliotecas. Entretanto, mesmo livrarias e bibliotecas têm limitações orçamentárias e espaciais e precisam encontrar livros que agradem aos seus leitores.
Por fim, a questão central é: o editor não deve colocar seu produto no mercado aleatóriamente, mas encontrar o leitor certo para seus títulos e saber distribuí-los.sexta-feira, 23 de abril de 2010
Em meio às incertezas, as possibilidades
* Sergio França
Impressões sobre a palestra do economista Fábio Sá Earp
Curso: A PRODUÇÃO DO LIVRO: do autor ao leitor.
Cátedra UNESCO de Leitura PUC - Rio
Aluno: Sérgio França, turma 2009.2
Módulo: O negócio do Livro – prof. Elisângela Alves
Impressões sobre a palestra do economista Fábio Sá Earp
O mercado do livro é caleidoscópico. Dependendo de que ângulo é observado, toma as mais variadas formas, adquire as mais diferentes cores, aponda para múltiplos caminhos. O Grupo Editorial Record, onde trabalho, é completamente diferente da editora Aeroplano, objeto da pesquisa de meu grupo no módulo passado (Linhas Editoriais), que é diversa da Pallas, ou da Objetiva, todas estas objetos de nossos estudos. Então o que é o mercado editorial brasileiro? É tudo isso e tantas vezes maior quantas forem as editoras, livrarias, distribuidoras, bibliotecas, programas de distribuição do livro pelo governo e outras variantes mais. É de fato um mercado complexo, entendido por poucos (se é que há quem o entenda) e muito, muito imprevisível. Daí a importância da pesquisa sobre a economia da cadeia produtiva do livro, apresentada pelo economista Fábio Sá Earp.
Ela traz uma mostragem diversificada, porém classificada, dos segmentos e, por conseguinte, mostra as perspectivas e as dificuldades da navegação por estes mares. E aproveitando a ilação com o mar, mostra a importância da compreensão da leitura das estrelas, da necessidade da bússola e da decodificações destes sinais em busca de um porto seguro.
Tenho tido a oportunidade de presenciar um grande número de encontros editoriais, livreiros, do mercado como um todo, e à do economista Earp, outras se juntam. Como ela, apontam para a facilidade de se criar editoras, da dificuldades para mantê-las, do baixo número de livrarias e de sua concentração na região Sudeste (mas felizmente apontam para um crescimento, além da região Sul, da região Nordeste também), da baixa média de leitura no Brasil, do enorme abismo escolar - que bem ou mal, vem-se tentando escalar -, enfim, uma análise que pode parecer preocupante. Mas se o é por uma ótica, pode ser promissora por outra.
E esta outra ótica, a otimista, deveria ser observada por nós, estudantes deste mercado. É a perspectiva da oportunidade.
Como se pode ver na pesquisa, o Brasil, se tem menos de vinte milhões de leitores de livro atualmente, tem um público potencial que se aproxima dos 90 milhões. Daí a vinda em massa das editoras estrangeiras, com ênfase no grande número de espanholas. Ora, é fantástico para um país, tomemos o caso da Espanha, que a média de leitura seja de oito, nove ou mais livros/ano, que as pessoas passem um enorme tempo de suas vidas lendo livros. Porém, e nós que somos bons leitores sabemos, há um momento que não há mais tempo de ler mais livros. Mesmo querendo muito ler mais, somente podemos ler um número limitado de livros por mês, por que temos que destinar tempo para nossas outras atividades. Assim é quando se gosta muito de ler. E assim é nestes mercados: a demanda é saturada, pois os leitores já lêem muito e não têm como ler mais. Isso não acontece aqui. Lê-se tão pouco que há muito espaço para aumentar as margens de leitura, lê-se tão pouco que o governo precisa subsidiar a leitura, lê-se tão pouco que não é dificil que se passe a ler mais um pouco.
Daí a importância da profissionalização do mercado. Mas não devemos nos iludir achando que ele não é profissionalizado em nosso país. Em muitos lugares ele é, é muito, e exige muito dos seus quadros. A importância da análise destes dados apresentados pelo economista Fábio Sá Earp - menos enraizada no lugar-comum e no pessimismo e mais atenta à grande possibilidade que se apresenta a quem pretende entrar, conhecer e desempenhar um grande papel não somente no mercado editorial, mas na democratização do conhecimento e do saber no Brasil.
Cátedra UNESCO de Leitura PUC - Rio
Aluno: Sérgio França, turma 2009.2
Módulo: O negócio do Livro – prof. Elisângela Alves
O que é o livro no Brasil?
* Por Frini Georgakopoulos
Vou tentar aqui escrever o que entendi a grosso modo, e resumido, das palestras – de Antonio Laskos e Fabio Sá Earp – e da literatura dada para as mesmas.
Em números absolutos, produzimos e vendemos poucos livros. Segundo estudos realizados, algo entorno de dois livros por habitante (per capita) por ano são comprados no Brasil contra algo em torno de 9 por habitante por ano em alguns países do primeiro mundo (estamos falando de dois específicos: Japão e EUA). Não importando o tamanho do mercado, esta claro que tudo é pouco no Brasil. A razão da pouca leitura passa por dois principais fatores, embora vários outros exerçam esta função, vou concentrar nos que considero os mais importantes, para não me estender em uma discussão que nos levara a vários outros aspectos que não cabe aqui envolvê-los, por tomar um tempo enorme, e desviar da atenção especifica à que queremos compartilhar, que é a venda e distribuição do livro no Brasil.
-A baixa escolaridade de nosso povo com as dificuldades envolvidas na melhoria do aprendizado tão tradicional por aqui. A má distribuição de escolas públicas e professores dificultou ao longo dos anos a formação do habito da leitura, com baixos salários dos professores do ensino médio, falta de bibliotecas nas escolas publicas, são fatores que ajudam a não proliferação da leitura.
-O custo do livro proporcionalmente a renda per capita do brasileiro que, é alto para nossos padrões econômicos. Independente da renda do brasileiro, a indústria do livro tem um parque industrial que raramente, ou só quando para o governo, didáticos em geral e Best Sellers consegue ter uma larga escala produtiva, justificando uma grande tiragem. Ainda assim, esta grande tiragem no Brasil não passa de algo quase mediano no rico mercado do primeiro mundo. Então, ainda que tenhamos uma boa qualidade nos equipamentos instalados no parque gráfico, não temos como reduzir custos por causa das pequenas tiragens produtivas.
O mercado do livro no Brasil tende a ser crescente, não de forma vegetativa, mas sim de forma absoluta. No entanto, será tanto maior quanto melhor for sendo a escolaridade e a riqueza da população, pois no mundo atual o mercado atua como "bricolagem" de culturas e interesses que atingem diretamente os mercados locais, tornando-os globais.
No custo do livro não se deixa de comparar o marketing existente em países desenvolvidos, forte, rico, audaz e atuante. Por outro lado, aqui a dimensão do marketing esta limitada aos objetivos que o mercado permite ter.
O mercado mundial do livro hoje, esta sobre a pressão do livro digital, já sendo, em alguns países, largamente utilizado (principalmente nos EUA, onde mais de 17% dos leitores tem acesso ao livro digital). No Brasil estamos começando a sofrer esta influencia, mas acredito que há um longo caminho pela frente, já que podemos afirmar que se os livros no Brasil são um dos mais caros do mundo, em termos relativos a renda per capita, que dirá sendo digital, que implica numa tecnologia digital, como aparelhos com leitura digital (e-books, Ipads, computadores), embora consigamos ler livros através dos computadores ligados a internet, no Brasil o acesso a internet ainda e precária, se levarmos em consideração todo o território nacional, a uma enorme carência, e preços proibitivos.
O Brasil de dimensões continentais tem tudo para ser uma potencia na leitura, só depende da vontade política e privada.
Curso: A PRODUÇÃO DO LIVRO: do autor ao leitor.
Cátedra UNESCO de Leitura PUC - Rio
Aluna: Frini Georgakopoulos, turma 2009.2
Módulo: O negócio do Livro – prof. Elisângela Alves
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